Leituras, Lidos 2019

Resenha – Homo Deus

Mais um livro de Yuval Noah Harari pra ficar horas pensando… Depois do sucesso de Sapiens, onde ele descreve a evolução da humanidade, Yuval agora apresenta nosso possível futuro em Homo Deus. Aqui somos inseridos numa nova era de possibilidades, com base não apenas em ideias, mas levando em consideração tudo que estamos criando e desenvolvendo no presente, as ambições do ser humano e o foco no melhoramento e na adaptação da espécie.

Estamos prestes a encarar uma nova era, e para entender os acontecimentos possíveis com essa revolução é preciso dar um passo atrás e ter um olhar de longo prazo, não só da história mas também da biologia, não somente da história dos homens mas também da história da vida, porquê o que está acontecendo não é apenas a mais importante revolução da história da humanidade, mas também a revolução mais importante da biologia, desde o surgimento da vida.

No começo do livro é discutida ideia de imortalidade (ou longevidade) que é um assunto que já faz parte dos projetos de grandes empresas de tecnologia, como a Google por exemplo, que tem uma subcompanhia, cuja missão é “resolver a morte”, e destina 36% da carteira de investimentos (que representa mais de 2 bilhões de dólares) do fundo Google Ventures somente para projetos relacionados com a prorrogação da vida. Na verdade, como bem descrito pelo autor, a ideia de combater a morte desenvolverá humanos amortais e não imortais, uma vez que continuaremos correndo risco de morte em casos de acidente ou grave lesão, apenas não morreremos mais por problemas de saúde e velhice. Dessa forma, Yuval complementa que o um dos grande riscos dessa evolução é que temos grandes chances de nos tornarmos cada vez mais ansiosos e medrosos, pois atualmente só aceitamos nos arriscar “vivendo” porque sabemos que a morte é inevitável, então aceitamos nos aventurar em algumas atividades, mas se tivermos consciência de que estamos apostando contra o infinito passaremos a ter medo até mesmo de atravessar rua. 

Pela primeira vez na história, hoje morrem mais pessoas que comeram demais do que de menos; mais pessoas morrem de velhice do que de doenças infecciosas; e mais pessoas cometem suicídio do que todas as que, somadas, são mortas por soldados, terroristas e criminosos. No início do século XXI, o ser humano médio tem muito mais probabilidade de morrer empanturrado no McDonald’s do que de seca, de Ebola, ou num ataque da Al-Qaeda.

Um ponto muito importante que é discutido no livro também e que me chamou a atenção diz respeito a como funcionará o mercado de trabalho, e como isso afetará a economia e a vida das pessoas comuns nas próximas décadas? Uma criança que está no início de seus estudos hoje, o que precisará aprender para enfrentar o mercado de trabalho na fase adulta? O que está sendo ensinado hoje ainda será relevante no futuro? 

Uma possibilidade importante que estamos enfrentando é o surgimento da Inteligência Artificial e o que isso representa para a vida do Homem. Cada vez mais estudiosos estão considerando que nas próximas décadas a Inteligência Artificial expulsará as pessoas do mercado de trabalho. Da mesma maneira que a Revolução Industrial criou uma nova classe de trabalhadores urbanos na época, no século XXI uma nova revolução criará outra classe, a classe dos inúteis. Pessoas que não terão mais utilidade econômica porque a Inteligência Artificial os superarão em quase todos as tarefas e trabalhos, pessoas que não serão mais apenas desempregadas, mas serão não-empregáveis, pois não existirá mais trabalho para elas. 

A tradicional visão do mundo como uma torta com um tamanho prefixado pressupõe que só existem dois tipos de recursos: matérias-primas e energia. Mas, na verdade, são três: matérias-primas, energia e conhecimento. Matérias-primas e energia são esgotáveis —quanto mais se usa, menos se tem. O conhecimento, em contrapartida, é um recurso em crescimento —quanto mais se usa, mais se tem.

Um exemplo que o autor explica referente ao veículos autônomos. Alguns anos atrás era difícil aceitar que computadores conseguissem dirigir um automóvel melhor que humanos. Porém hoje, cada vez mais especialistas estão chegando a conclusões opostas. Na verdade é só uma questão de tempo, e não muito tempo, quem sabe 10, 20 ou 30 anos, humanos não dirigirão mais seus veículos porque a IA será muito melhor, pois além de dirigirem de forma mais eficiente, farão também de forma mais econômica, com menos poluição, e principalmente, de mais segura. Hoje no mundo, todo ano morrem cerca de 1,3 milhões de pessoas em acidentes de carro, e a maior parte dessas mortes acontece por erros humanos, que seriam eliminados com a utilização da Inteligência Artificial. Outro ponto relevante é que hoje, cada carro é uma unidade individual, então quando temos mais de um carro em um cruzamento por exemplo, dependemos dos sinais dos demais motoristas para saber o que fazer de acordo com as normas de trânsito, mas se alguém não cumprir seu papel há grande chance de ocorrer um acidente. Porém, se tivermos apenas veículos autônomos, controlados por IA, então não teremos veículos independentes, mas sim uma rede coordenada de veículos automatizados que serão programados de forma a respeitar todas as normas, evitando colisões.

São citados vários outros exemplos áreas que podem ser afetadas, inclusive a arte e carreira médica, que até pouco tempo atrás jamais seriam cogitadas a possibilidade de serem dominadas por Inteligência Artificial. E o mais interessante é que todos os exemplos são muito bem detalhados e explicados de acordo com as situações que ocorrem hoje e os estudos que já estão em desenvolvimento.

Enfim, o livro é muito bem escrito e, apesar de abranger situações e exemplos complexos, a linguagem utilizada por Harari é simples e de fácil entendimento. O livro não trabalha com futurologia nem profecias, mas apresenta sim a análise de possibilidades que podem ou não ser realizadas, de acordo com a realidade atual, mas que ainda temos condições de interferir se o cenário projetado não for do nosso agrado.

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